sábado, 11 de outubro de 2008

O que busco hj....


Goza a euforia do vôo do anjo perdido em ti
Não indagues se nossas estradas, tempo e vento
desabam no abismo
que sabes tu do fim ?
Se temes que o teu mistério seja uma noite,
enche-a de estrelas.
Conserva a ilusão de que o teu vôo te leva
sempre para o mais alto.
No deslumbramento da ascensão,
se pressentires que amanhã estarás mudo,
esgota, como um pássaro,
as canções que tens na garganta.
Canta, canta para conservar uma ilusão
de festa e vitória.
Talvez as canções adormeçam as feras
que esperam devorar o pássaro.
Desde que nasceste,
não és mais que um vôo no tempo.
Rumo aos céus ? O que importa a rota ?
Voa e canta,
enquanto resistirem as tuas asas.

Menotti del Picchia

sábado, 5 de julho de 2008

o presente de hj... mais um poema de Cora. Obrigada Manoel!!

POEMINHA AMOROSO

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.

Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo..."

Cora Coralina
Mais uma que devo ao Manoel... hehehe
Meu querido amigo Manoel... obrigado por essa poesia e obrigada pelo bem q me fazes.

Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.


Cora Coralina.

A RAPOSA E O PRÍNCIPE

E foi então que apareceu a raposa: __Bom dia,disse a raposa. __Bom dia,respondeu polidamente o principezinho,que se voltou,mas não viu nada. Eu estou aqui,disse a voz,debaixo da macieira... __Quem és tu?perguntou o principezinho.Tu és bem bonita... __Sou uma raposa,disse a raposa. __Vem brincar comigo,propôs o principezinho.Estou tão triste... __Eu não posso brincar contigo,disse a raposa.Não me cativaram ainda. __Ah!desculpa,disse o principezinho.Após uma reflexão,acrescentou: __Que quer dizer "cativar"? __Tu não és daqui,disse a raposa.Que procuras? __Procuro os homens,disse o principezinho.Que quer dizer "cativar"? __Os homens,disse a raposa,têm fuzis e caçam.É bemincômodo!Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem.Tu procuras galinhas? __Não,disse o principezinho.Eu procuro amigos.Que quer dizer "cativar"? __É uma coisa muito esquecida,disse a raposa.Significa "criar laços...". __Criar laços? __Exatamente,disse a raposa.Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.E eu não tenho necessidade de ti.E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas,nós teremos necessidade um do outro.Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... __Começo a compreender,disse o principezinho...Existe uma flor...eu creio que ela me cativou... __É possível,disse a raposa.Vê-se tanta coisa na Terra... __Oh!não foi na Terra,disse o principezinho. A raposa pareceu intrigada: __Num outro planeta? __Sim. __Há caçadores nesse planeta? __Não. __Que bom.E galinhas? __Também não. __Nada é perfeito,suspirou a raposa. Mas a raposa voltou à sua idéia: __Minha vida é monótona.Eu caço galinhas e os homens me caçam.Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também.E por isso me aborreço um pouco.Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol.Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.O teu me chamará para fora da toca,como se fosse música. E depois,olha!Vês lá longe,os campos de trigo?Eu não como pão.O trigo para mim é inútil.Os campos de trigo não me lembram coisa alguma.E isso é triste!Mas tu tens cabelos cor de ouro.Então será maravilhoso quando me tiveres cativado.O trigo,que é dourado,fará lembrar-me de ti.E eu amarei o barulho do vento no trigo... A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe: __Por favor...cativa-me!disse ela. __Bem quisera,disse o principezinho,mas eu não tenho muito tempo.Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer. __A gente só conhece bem as coisas que cativou,disse a raposa.Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma.Compram tudo prontinho nas lojas.Mas como não existem lojas de amigos,os homens não têm mais amigos.Se tu queres um amigo,cativa-me! __Que é preciso fazer?perguntou o principezinho. __É preciso ser paciente,respondeu a raposa.Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim,assim,na relva.Eu te olharei para o canto do olho e tu não dirás nada.A linguagem é uma fonte de mal-entendidos.Mas,cada dia,te sentarás mais perto... No dia seguinte o principezinho voltou. __Teria sido melhor voltares à mesma hora,disse a raposa.Se tu vens,por exemplo,às quatro da tarde,desde às três eu começarei a ser feliz.Quanto mais a hora for chegando,mais eu me sentirei feliz.Às quatro horas então,estarei inquieta e agitada:descobrirei o preço da felicidade!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Não Vou Me Adaptar


Eu não caibo mais Nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais A casa de alegria
Os anos se passaram
Enquanto eu dormia
E quem eu queria bem
Me esquecia...
Será que eu falei
O que ninguém dizia?
Será que eu escutei
O que ninguém ouvia?
Eu não vou me adaptar

Me adaptar...

Eu não tenho mais
A cara que eu tinha
No espelho essa cara
Não é minha
Mas é que quando
Eu me toquei Achei tão estranho
A minha barba estava
Desse tamanho...
Será que eu falei
O que ninguém ouvia?
Será que eu escutei
O que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar

Me adaptar...


Arnaldo Antunes

Recordar é viver.. rsrsrsrs


Acreditem, eu já tive um cabelo assim... e o pior disso... eu A_D_O_R_AV_A!!!!!
Acho que foi a época que eu mais me amei, tempo em que eu podia ser o que quisesse ser.
Usava o que queria usar, era meio "porra-louca" (expressão da época, claro!)
Nostalgia? Sem dúvidas e sem medo de ser piegas... aliás, quero perder todos esses medos que fui adquirindo de lá pra cá... essa a intenção... rsrsrs

Ah! e deixo um vídeo da época tb... bem condizente com o momento em que essa foto foi tirada.




Drão
(Gilberto Gil)


Drão
o amor da gente é como um grão
Uma semente de ilusão
Tem que morrer pra germinar
plantar nalgum lugar
Ressuscitar no chão nossa semeadura
Quem poderá fazer aquele amor morrer!
Nossa caminhadura
Dura caminhada pela estrada escura
Drão
não pense na separação
Não despedace o coração
O verdadeiro amor é vão,
estende-se, infinito Imenso monolito, nossa arquitetura
Quem poderá fazer aquele amor morrer!
Nossa caminha dura
Cama de tatame pela vida afora
Drão
os meninos são todos sãos
Os pecados são todos meus
Deus sabe a minha confissão,
não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão
Quem poderá fazer aquele amor morrer
Se o amor é como um grão!
Morre-nasce, trigo, vive morre, pão
Drão